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Coca Ye, “trabalhador de talentos múltiplos” do PMA em Moçambique

Coca Ye, PMA em Moçambique

O título oficial de Coca Ye é Motorista, mas não existe realmente um termo para descrever o que Coca faz pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) em Moçambique.

O título oficial de Coca Ye é Motorista, mas não existe realmente um termo para descrever o que Coca faz pelo Programa Mundial de Alimentação (PMA) em Moçambique.

Coca começou a trabalhar para o PMA como motorista em 1993 porém nos últimos 15 anos tem vestido uma vasta gama de chapéus do PMA, incluindo Gestor de Acordos, Mecânico e Coordenador de Operações de Risco. Ele é o verdadeiro “trabalhador de talentos múltiplos” e mestre de pelo menos um – no topo da versatilidade de Coca, é sua peculiar mestria na instalação de armazéns temporários que o faz manter-se firme.

“Fui treinado para edificar armazéns temporários durante as cheias de 2000”, relatou Coca no início de 2008 durante a instalação do armazém em Caia, a vila que foi a base para as operações de resposta às cheias.

“Na altura, alguns de nós recebemos o treinamento, mas eu sou o único que restou no PMA em Moçambique que conhece o processo”, explica Coca. Em 2000, as cheias em Moçambique mataram 700 pessoas e desalojaram um quarto de milhão de outras.

Coca tem aprimorado a sua habilidade peculiar nos últimos oito anos através da instalação de 62 armazéns temporários para armazenar comida e outros bens de emergência em quase todas as províncias de Moçambique. “Este Wiikhall (marca comum de lona para armazém usado pelo PMA) é o oitavo que já instalei este ano”, disse Coca, limpando o suor da sua testa com muita dificuldade.

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As chuvas torrenciais e as cheias em Janeiro e Fevereiro de 2008 desalojaram mais de 10.000 pessoas e devastaram as culturas na região centro de Moçambique. As inundações ao longo do Vale do Rio Zambeze atingiram níveis de pico mais alto que das cheias dos anos passados de 2000, 2001 e 2007, porém com o planeamento crescente, avisos prévios e capacidade de resposta rápida do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades, os desastres humanos foram minimizados e no geral a resposta foi melhor coordenada.

“Este ano, sabíamos que haveria chuvas torrenciais que poderiam levar a cheias, por isso planeamos antecipadamente e instalamos alguns armazéns em locais chave ao longo do Rio Zambeze antes que as chuvas viessem”, explicou Coca. “Assim que as águas encheram, vimos que era necessário mais capacidade de armazenagem perto dos centros de desalojados”.

A instalação de armazéns temporários não é trabalho para uma só pessoa, por isso Coca recruta cerca de 20 homens locais para ajudar na tarefa de limpar o terreno, cavar a fundação, ligar sustentáculos, erguer a estrutura, cobrir o tecto e paredes e assegurar tudo no seu lugar. Leva um dia e meio para montar um armazém com 40 metros de comprimento, 10 metros de largura e 8 metros de altura (700 ton métricas de capacidade). “Eu pago as pessoas pelo seu trabalho e também as levo frequentemente a almoçar para assegurar-me que tenham energia para trabalhar todo o dia”, disse Coca.

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No interior de Moçambique onde os armazéns temporários são mais críticos, as condições de trabalho são longe do ideal. Isto se deve a ocorrência de tempestades frequentes, aquecimento brutal e até da presença de serpentes venenosas e doenças endémicas como a malária. Apesar da fadiga, Coca mantém uma atitude optimista e tem aprendido a motivar seus assistentes recordando-lhes do papel precioso que jogam na resposta a emergência. Muitos dos homens que ajudaram na instalação do armazém em Caia no início de 2008 foram vítimas das cheias duma comunidade perto do reassentamento e foram beneficiadas de assistencia alimentar pelo PMA.

O sorriso contagiante de Coca é evidente e ele para por momentos à sombra da trave que a equipa acaba de erguer e reflecte, “Eu realmente considero um privilégio ser a primeira pessoa durante a cenário de emergência a representar o PMA e a comunidade humanitária. Ainda que eles comecem vazios, os armazéns temporários são a fonte de esperança real para as pessoas nas áreas afectadas”.

Coca vive na Beira, Moçambique com a sua esposa e quatro filhos. Quando não está a erguer armazéns ou a navegar pelas estradas acidentadas e pelos rios pelo PMA, ele pode estar a descansar numa praia com um anzol na mão a pescar.